Plantas medicinais: veja o que elas podem fazer por você?

Este artigo tem por objetivo mostrar como o conhecimento relacionado ao uso de plantas medicinais tem crescido no Brasil. Seja pela carga trazida pela história do povo brasileiro ou, seja pelo interesse em pesquisar a grande diversidade verde de que nosso país é dono, o uso de plantas medicinais nunca se mostrou tão intenso e importante.

Plantas medicinaisEmbora esta cultura do uso de plantas medicinais seja mais intensa dentre a população de menor renda, muitas pessoas, de diferentes classes sociais, têm se interessado por cuidar do corpo de forma natural. Assim, além de obter um tratamento satisfatório, é uma ótima forma de se livrar de tanta industrialização. Por isso, este artigo irá tratar de alguns tipos de plantas medicinais, como elas podem e devem ser usadas e suas principais características.

Com um país tão rico em florestas nativas como o Brasil e com uma cultura tão intensa, é de se esperar que grande parte da população tenha conhecimento e faça uso de plantas medicinais. Seja uma cultura proveniente dos pais e avós, ou até de povos indígenas que aqui vivem, ela tem se fortalecido entre os brasileiros que buscam uma alternativa aos tratamentos de saúde. Cuidar do corpo de forma natural tem sido uma preocupação crescente para as pessoas e o tempo tem mostrado que, para muitas doenças, as plantas medicinais trazem os tratamentos naturais tão desejados em um mundo de muita industrialização.

Plantas medicinais que curam – já pensou em usá-las?

Quando se fala em tratamento através de plantas medicinais, o correto mesmo seria usar aquelas que estão nas matas nativas, porém, como isso deixaria o processo bem mais complicado, atualmente têm sido feitos cultivos dessas plantas específicas. No entanto, nem sempre as plantas medicinais são usadas em forma de chás.

Para que uma planta medicinal tenha um efeito em um organismo, é preciso conhecer seu princípio ativo para combater determinada doença ou problema de saúde. A única forma de fazer isso é através de estudos científicos, de longo prazo, porém, a cultura tem falado mais alto por aqui. Então, mesmo a grande maioria das plantas medicinais não terem um estudo científico comprovando a sua eficácia, o tempo tem feito essa comprovação. Mas um detalhe é muito importante: existe sempre a forma correta de usar uma planta medicinal. Por que isso é importante? Porque além de potencializar o efeito desejado com o seu uso, também se evita a intoxicação pelo mau uso. Vamos conhecer algumas delas?

Jujuba (Zizyphus jujuba)

Jujuba ( Zizyphus jujuba )Já ouviu falar em uma planta medicinal que se chama “jujuba”? Pois ela pode trazer muitos benefícios à saúde, tratando diversos problemas. Ela é originária da China, sendo também muito comum na Coréia do Sul, e para fins medicinais, podem ser usados o fruto, as sementes, a raiz e a casca. Porém, se o fruto for consumido por inteiro, a pessoa consegue usufruir de maneira mais plena todos os benefícios dessa planta medicinal.

Essa planta medicinal pode ajudar a aliviar estresse, ansiedade e depressão, mas também é indicada para tratamento de asma, bronquite, diabetes, doenças no fígado, úlceras e até feridas. Tem propriedades antialérgicas, anti-inflamatórias, analgésicas, anti-hiperglicemiante e imunoestimulante. Um estudo feito com ratos diabéticos comprovou que o uso dessa fruta em forma de pó pode proteger o organismo de uma pessoa diabética. Já a sua semente é analgésica, tranquilizante e anticonvulsivante.

Mas existe uma contraindicação: ela não deve ser consumida por pessoas que possuem parasitas intestinais. No caso dos diabéticos, um médico sempre deve ser consultado para auxiliar no uso desta planta medicinal.

Chicória (Chicorium intybus)

Chicória ( Chicorium intybus )Essa planta medicinal é bem provável que você conheça – chicória, escarola ou barba-de-monge. Ela é bem comum no prato do dia a dia dos brasileiros e traz benefícios consideráveis à saúde. Ela possui vitaminas B, C e K, flavonoides e inulinas. A chicória tem excelentes propriedades digestivas e é um laxante moderado. Ela pode ser consumida em forma de saladas, sopas, suas flores são comestíveis e a raiz pode ser assada ou refogada como um legume.

Um estudo feito em 2008 pela revista Food em Chemical Toxicology, trouxe uma notícia esperançosa: a chicória tem efeitos antiproliferativos contra o câncer. Neste estudo foram utilizadas células cancerígenas humanas de mama, próstata, rim e pele e, nos estudos envolvendo principalmente o câncer de pele, a chicória apresentou efeitos antiproliferativos.

Mas como todas as demais plantas medicinais, a chicória também apresenta contraindicações. Seu uso excessivo pode causar perturbações digestivas e a raiz, em especial, pode ser responsável por alergias e irritação na pele, em alguns casos.

Cravo-da-índia (Syzygium aromaticum)

Essa planta medicinal é um grande aromatizador e condimentador, com sabor forte e característico que tem diversas formas de ser utilizado. Como seu próprio nome diz, sua origem é indiana, sendo que desde 2000 anos atrás, suas propriedades afrodisíacas são conhecidas. Porém, o cravo-da-índia tem ainda inúmeras outras vantagens para a saúde.

O óleo do cravo, por exemplo, é um potente antisséptico, podendo ser usado para curar dores de dentes e sanar o mau hálito. Mas ele tem ainda outros efeitos medicinais, como tratamento de náuseas, flatulências, indigestão e diarreia, além de ser muito indicado por suas propriedades bactericidas, já que ele possui um componente chamado eugenol, que comprovadamente mata viroses e bactérias.

Contraindicações? Sim. O óleo de cravo-da-índia deve ser usado apenas interiormente no organismo, visto que pode causar irritações na pele.

Canelinha (Croton zehntneri)

A canelinha é uma planta medicinal nativa da região nordestina Brasileira e também é conhecida como canela-brava. Para o uso medicinal, pode-se extrair o seu óleo essencial, além de serem feitos chás e outras bebidas a partir de suas folhas.

Seu óleo essencial possui anetol, utilizado para o tratamento de lesões gástricas. Se o óleo for ingerido, ele atuará no organismo como um gastroprotetor, aumentando a produção de muco gástrico e, também, curando úlceras gástricas. O óleo também tem função miorrelaxante e antiespasmódica em músculos lisos, principalmente das vias aéreas, mas que também estão presentes em paredes de vários outros órgãos do corpo.

Os chás, além de serem ingeridos, também têm ação cicatrizante em feridas externas na pele. E o que dizer então das ações larvicidas contra o mosquito da dengue? Com os inúmeros casos de dengue no Brasil (que cresceram muito neste ano de 2015), ter uma alternativa natural para matar larvas do mosquito da dengue é muito vantajoso para a prevenção dessa doença que pode matar. E o melhor de tudo em relação à canelinha é que ela não possui contraindicações.

Castanha-da-índia (Aesculus Hippocastanum)

Castanha-da-índia (Aesculus Hippocastanum)A castanha-da-índia, ou castanheira-da-índia, ou até, castanha-espanhola contém uma substância que se chama aescin que produz efeitos anti-inflamatórios, inibindo a inflamação em cada célula do organismo, porém, sem impedir a fagocitose (processo no qual as células englobam partículas a fim de se alimentarem). Essa planta medicinal também é ótima para ajudar a melhorar os movimentos corporais, além de fortalecer as veias e a permeabilidade dos vasos capilares.

Uma forma de utilizar a castanha-da-índia para fins medicinais é através de compressas feitas a partir das folhas e das cascas da planta, e estas podem ser usadas no tratamento de hemorroidas, varizes, inchaços, feridas e reumatismo. Ela tem sido utilizada também como ingrediente para cremes antirrugas.

Há ainda estudos que mostram que um extrato da semente da castanha-da-índia ajuda no tratamento de insuficiência venosa crônica, ou seja, é muito útil para pessoas que tenham enfraquecimento das paredes das veias, lesão de válvulas do sistema circulatório, além de varizes, inchaços e cansaço nos membros inferiores.

A castanha dessa planta medicinal deve ser utilizada a curto prazo, apresentando resultados em pouco tempo de uso. Seu uso é considerado seguro apenas quando é feito a curto prazo e ele pode causar alguns efeitos colaterais, como dores de cabeça e estômago, coceiras e tonturas. Grávidas e lactantes não devem fazer uso de nenhum componente dessa planta medicinal, e em algumas pessoas, seu pólen causa reações alérgicas. A ingestão das flores, folhas, cascas e sementes não são seguras, podendo levar à morte. Tenha um acompanhamento médico.

Urtiga-branca (Lamium álbum)

Urtiga-branca (Lamium álbum)O uso dessa planta medicinal tem registros históricos de 4000 a. C. e ela tem origem na Europa e na Ásia. A princípio, ela não é muito agradável pois como o próprio nome sugere, ela tem caráter urticante, ou seja, ela queima a pele ao ser tocada. Ela é muito rica em vitaminas B, C e K, além de betacaroteno, magnésio, ferro, cálcio, sais e proteínas.

Essa planta medicinal é indicada para vários problemas, como queda de cabelo, unhas frágeis, anemia e problemas circulatórios. Ela é especialmente indicada para reduzir o fluxo menstrual excessivo, além de aliviar as cólicas menstruais. Também trata o corrimento vaginal anormal, cálculos renais, diarreia, problemas menstruais, hemorragias pós-parto e prostatite. Tudo isso pode ser tratado através de uma infusão dessa planta medicinal.

Se for feito um processo que destile a água das flores e folhas dessa planta, esta água destilada pode ser usada como um excelente colírio que alivia algumas condições incômodas dos olhos. Uma outra opção que ajuda a melhorar a saúde, principalmente no que diz respeito à catarro e hidropisia, é ferver suas flores em água, que funcionará como uma erva medicinal. As raízes também podem ser usadas para ajudar quem tem pedras nos rins – basta consumi-las cozidas no vinho.

Folha-da-fortuna (Kalanchoe pinnata)

A folha-da-fortuna é uma planta medicinal de origem africana usada há muito tempo pelos povos indígenas. Ela é indicada principalmente para combater inflamações, mas também é excelente no combate à febre através da infusão de suas folhas. Agora, se seu problema é dor de cabeça ou enxaqueca, a folha-da-fortuna misturada ao óleo de coco ou de andiroba, formando um tipo de suco, pode ser a sua solução. A infusão das folhas dessa planta medicinal foi muito utilizada até mesmo no tratamento de ossos quebrados e hematomas.

O tratamento de epilepsia também pode ser feito com esta planta, mas desta vez, com a infusão de sua raiz ao invés de suas folhas. Mas, apesar desses tratamentos que foram difundidos por índios brasileiros, foram comprovadas cientificamente as atividades antifúngicas, antibacterianas e antivirais da folha-da-fortuna, tanto para problemas internos ou externos no corpo. Foi comprovado que o extrato da folha-da-fortuna (que pode ser ingerido como um suco) pode prevenir e tratar a leishmaniose, além de desempenharem uma função anti-histamínica e antialérgica.

Como a folha-da-fortuna é uma planta medicinal suculenta, para obter seu suco deve-se fazer uma maceração de suas folhas, assim, pode ser obtido não só o seu suco, como também seu extrato, ou até mesmo, fazer o uso dessa substância mais gelatinosa existente dentro da folha para aplicar sobre cortes, arranhões e queimaduras na pele. Mas atente-se que o uso da folha-da-fortuna não deve ser feito por longo tempo e deve ser evitado por pessoas que possuam uma imunidade mais reduzida.

Marupazinho (Eleutherine plicata)

O marupazinho é uma planta medicinal já reconhecida pela Ministério da Saúde Brasileiro desde 2009 e tem sua origem tanto da região norte do Brasil como do Peru. Também é conhecido como coquinho, palmeirinha ou alho-vermelho e seu consumo é muito popular na Amazônia, sendo realizado principalmente através de chás. Seus usos são diversos: ele trata desde hemorroidas, até diarreias, disenterias e amebíase.

Para fazer o chá para este fim medicinal, utiliza-se o bulbo da planta onde há grande quantidade do princípio ativo dessa planta medicinal – a sapogenina esteroidal. Os principais focos de ação deste princípio ativo envolvem as propriedades analgésicas periféricas e antidermatogênicas. Mas ainda há mais usos.

O marupazinho também é útil para pessoas que têm problemas cardíacos, pois tem ação dilatadora na coronária, além de uma ação que é desejada por uns, porém, que outros querem manter a distância – ação antifertilidade. Mas se você estiver precisando tratar uma disenteria ou uma diarreia, a melhor forma de se fazer um chá é através da fervura de 2 bulbos de marupazinho picados em cubos com 500mL de água, por 15 minutos. Então, deve-se ingerir uma xícara antes de cada refeição.

Açafrão (Crocus sativus) – Leia mais sobre o açafrão da terra.

Açafrão (Crocus sativus)Essa planta medicinal você com certeza conhece e, talvez, já até tenha feito uso dela em sua alimentação. Mas você irá gostar mais dela ainda quando souber o que ela é capaz de fazer. O açafrão tem efeitos antioxidante e anticancerígeno, ou seja, estamos falando de uma planta medicinal que através de seu chá ou de seu uso como condimento contribui para prevenir o envelhecimento precoce e alguns tipos de câncer.

Seu nome não varia muito e sua origem é da região Mediterrânea. Seus principais componentes que auxiliam a saúde são o safranol, a crocina e a vitamina B. Em relação ao câncer, para o qual o principal componente do açafrão é a crocina, essa planta medicinal é especialmente indicada no tratamento de câncer de fígado, além de auxiliar nas dores abdominais. Além do chá e do seu uso como condimento em diversas preparações alimentícias, também pode ser feito um xarope de açafrão que terá seu princípio ativo de forma mais concentrada.

Mas é claro que também há contraindicações no caso desta planta medicinal. Neste caso, o conselho é que se evite o uso intenso do açafrão durante a gravidez. O uso em excesso pode provocar algumas reações adversas, como toxicidade, causando hemorragias cutâneas, e pode, até mesmo, ter efeito abortivo.

Almecegueira (Protium heptaphyllum)

O nome parece de uma planta medicinal que irá tratar problemas nos olhos, certo? Mas não é isso o que a almecegueira faz. Essa planta tem origem tanto na Amazônia quanto no cerrado brasileiro e também é conhecida como breu branco, principalmente devido a uma resina oleosa que ela produz. Mas enfim, o que ela pode fazer por sua saúde?

Embora seus prós não tenham sido cientificamente comprovados ainda, assim como a grande maioria das demais plantas medicinais, essa planta medicinal ajuda em problemas de pele, feridas, problemas hepáticos, gastrite e, seu papel principal, é a proteção da pele contra os raios UV. Por isso, pode-se dizer que a almecegueira é um protetor solar natural. As melhores formas de utilizá-la são através de sua resina e, também, de um gel produzido a partir dessa resina que devem ser aplicados na pele. Como não foram feitos estudos científicos com ela, ainda não há contraindicações.

Amor-crescido (Portulaca pilosa)

Essa planta medicinal também vai enganar pelo nome – ela não cura coração partido. Mas é ótima para muitas outras coisas. Ela é nativa das Américas e embora tenha sido muito utilizada para diminuir a febre e também por sua ação analgésica, ela tem outras funções ainda mais interessantes.

Um extrato de amor-crescido tem excelentes efeitos renais e pode ser utilizado como diurético. Para isso, basta que essa planta seja cozida e a água resultante deste cozimento seja ingerida. Quer uma outra função ainda? Sua infusão é usada para tratar a queda de cabelo.

Essa planta medicinal possui mucilagem, vitaminas como A, B1, B2 e C e pode aumentar a excreção de potássio pela urina. Mas há uma contraindicação! Ela mostrou ter efeito abortivo, por isso, mulheres grávidas devem evitar utilizá-la para tratar outros problemas, seja através de seu chá, de sua infusão ou de seu cozimento.

Dioneia (Dionaea muscipula)

Já ouviu falar nessa planta medicinal? Talvez não tenha ouvido falar, mas com certeza já a viu ou a conhece. Um outro nome muito famoso dela é vênus-papa-moscas – e aí? Já adivinhou de quem estamos falando? Estamos falando de uma planta insectívora (carnívora) cuja origem é dos Estados Unidos, mas que com certeza você já a viu em uma foto ou até em um filme.

Sabia que a dioneia tem muitos efeitos medicinais? Na realidade, ela tem sido muito estudada ultimamente porque ela tem mostrado poder em diminuir o crescimento de tecidos de tumores ou até fazer com que aqueles que já existem diminuam de tamanho. Em alguns países, como na Alemanha por exemplo, o tratamento de tumores é feito através de injeções contendo dioneia, e em casos de câncer pulmonar, é administrada uma solução contendo dioneia através de um nebulizador para o paciente.

Como a dioneia vem sendo estudada apenas atualmente e a maior parte de seus estudos estão sendo feitos apenas no exterior, ainda não se sabe muito sobre efeitos colaterais que ela pode causar. Porém, já se sabe que o suco proveniente da dioneia pode causar reações alérgicas na pele, por isso, evite-o.

Tomilho (Thymus vulgaris L.)

Tomilho (Thymus vulgaris L.)O tomilho é uma planta medicinal que é conhecida por seu uso na culinária em forma de condimento (deixa as receitas muito mais saborosas). Mas sabia que ela pode auxiliá-lo quando você estiver com tosses e sentindo o peito carregado?

O tomilho originou-se do Mediterrâneo e é usado contra tosse, bronquite e dor de garganta. Há algumas formas de uso, sendo que a mais simples é através de seu chá, porém, ele também pode ser ingerido através de cápsulas ou xarope. Seus componentes são o óleo essencial de tomilho que contém substâncias como o timol e o carvacol, flavonoides e taninos. Para extrair seu princípio ativo que ajuda no combate a alguns problemas de saúde, pode-se utilizar suas sementes, flores e folhas.

Por isso, de uma forma geral, o tomilho tem alguns efeitos específicos como ser expectorante, antisséptico, antitosse, anti-inflamatório, fluidificante e broncoespasmódico. Para estes problemas e para pessoas que têm crises crônicas respiratórias, o tomilho (seu chá ou infusão) pode ser usado via interna ou, também, por meio de gargarejos e inalação. A sua forma em spray pode ser usada contra insetos tanto na pele quanto em objetos.

O uso dessa planta medicinal tão comum só é contraindicado para pessoas que possuem alergia a ele ou ao seu óleo essencial.

Manjericão (Ocimum basilicum)

Manjericão (Ocimum basilicum)O manjericão é uma planta muito aromática utilizada para temperar muitos alimentos, sendo muito comum em nosso país. Ela é originária da Índia e tem muitos outros nomes conhecidos, como alfavaca-cheirosa, manjericão-doce e manjericão-dos-cozinheiros (por que será, hein?).

A vantagem dessa planta medicinal é que praticamente ela toda pode ser utilizada para este fim – suas folhas, flores, raízes, óleo essencial e sementes. Seu melhor efeito é o curativo e, por isso, é utilizada para diversos fins da medicina popular. Há dois fatores muito importantes para o uso do manjericão: ele possui baixo teor de sódio e absolutamente nada de calorias, e mesmo assim, deixa as preparações alimentares deliciosas.

As flores frescas do manjericão são riquíssimas em vitamina A, por isso, são excelentes para a visão, beneficiando, inclusive, a capacidade de enxergar melhor a noite. Mas o manjericão também é muito rico em vitamina K, e esta beneficia muitas outras coisas, como a cartilagem, os ossos, o aparelho digestório e os tecidos pulmonares, além disso, também serve para evitar contusões e hemorragias.

Agora, se seu problema ainda é nos olhos, porém um pouco mais grave, como a degeneração macular por causa da idade avançada, saiba que o manjericão é ótimo para você. Por possuir luteína e zeaxantina, ele faz com que seus olhos consigam filtrar melhor a luz, evitando que seus olhos sofram danos por essa exposição excessiva à luz.

Na medicina alternativa, o manjericão também tem outras funções, como ser aplicado sobre picadas de inseto inibindo a sua irritação, também ajuda a combater a acne e até lombriga. E se você estiver precisando se revigorar por estar cansado e estressado demais, um bom banho com folhas de manjericão pode ajudá-lo. Para repelir moscas e mosquitos, basta colocar no ambiente uma xícara contendo manjericão, que pode ser queimado ou não (suas folhas).

Não há contraindicações desde que o manjericão seja usado em pequenas quantidades ou, se for usado em quantidades maiores, que seja por pouco tempo. O único fato conhecido é de que o manjericão pode reduzir a quantidade de açúcar no sangue de algumas pessoas.

Zimbro (Juniperus communis)

Zimbro (Juniperus communis)O zimbro também é uma erva muito utilizada na culinária (principalmente em países do exterior), trazendo aquele toque de sabor em diversas preparações e, também, em algumas bebidas alcoólicas como o gim. Ele cresce na Europa e é utilizado até mesmo em forma de fruta seca. Mas sabia que ele é uma planta medicinal indicada principalmente para quem tem reumatismo?

Essa planta medicinal possui óleos essenciais e flavonoides, e para extrair o melhor dela a fim de usá-la medicinalmente, deve-se usar suas bagas. A melhor forma de preparo é através da trituração de suas bagas, assim, é possível extrair seu óleo essencial e, com isso, realizar uma infusão.

Alguns dos efeitos mais conhecidos do zimbro são o diurético, o antirreumatismal (já mencionado), o antisséptico e o digestivo. Com seu uso interno, através da infusão de suas bagas trituradas, o zimbro pode auxiliar em problemas de dispepsia, acidez gástrica, cólicas, inflamações e cálculos urinários e, até mesmo, em mau hálito.

O problema é que se o zimbro for usado para tratamentos a longo prazo, ele acaba ocasionando problemas renais, por isso, pessoas que desejam utilizá-lo para tratar reumatismo, devem se conter no seu uso (em questão de tempo de uso). Essa planta medicinal é contraindicada em casos de problemas renais já comprovados e para mulheres grávidas.

Romã (Punica granatum)

Romã (Punica granatum)A romã não é um fruto, como muitos pensam, e sim, uma infrutescência da romãzeira. Com sua origem da Pérsia, é deliciosa e muito usada de diversas formas. Além da “fruta” em si, hoje existem até mesmo produtos (industrializados, orgânicos ou não) à base de romã, como o melado de romã que, por exemplo, pode ser usado para temperar molhos de saladas e outras preparações.

Como seu habitat nativo envolve um clima árido e mudanças bruscas de temperatura entre o dia e a noite, a romã possui diversas substâncias ativas que ajudam em sua proteção e que, por fim, podem ser usadas como produtos naturais medicinais – como os antioxidantes e as gorduras.

O que mais a romã contém de bom? Ela é rica em ácidos gálico e elágico, manganês, vitaminas B2 e C. Tudo isso traz muitos bons efeitos terapêuticos, como auxílio na redução da pressão arterial e é muito indicada para pessoas que têm problemas cardiovasculares (porque ajuda a prevenir infarto, derrame e colesterol LDL). Já seus muitos antioxidantes auxiliam na melhora da circulação sanguínea, principalmente dos órgãos genitais do homem.

Se o problema for irritação nos olhos, basta que se faça um chá com as folhas da romãzeira e aplique-o através de compressas, já se o problema for infecções de garganta, um chá das cascas da romã é útil para se fazer gargarejos, mas se o problema for verminoses, basta ingerir este mesmo chá usado no gargarejo. E se o problema for diarreias e disenterias? A romã também traz uma solução – deve-se fazer um chá com as cascas das raízes da romãzeira e ingeri-lo, já que as raízes contêm alcaloides que servem como substâncias adstringentes vermífugas.

Os extratos da romã também têm ação anticancerígena, principalmente no que diz respeito ao câncer de próstata. Mas no caso de outros tipos de câncer, a romã tem se mostrado responsável por reduzir a metástase, impede a ação de moléculas que danificam as células e acabam desencadeando o câncer, e também impede ou reduz a divisão das células cancerígenas. Tudo isso pode ser conquistado pela ingestão do suco da romã.

O uso excessivo da romã deve ser evitado pois por ela conter grandes quantidades de alcaloides, se houver uma complexação destes com os taninos de sua raiz, pode haver intoxicação. Dependendo da concentração (e do tempo de utilização, é claro), essa intoxicação pode levar à paralisia central generalizada.

Passiflora (Passiflora edulis)

Passiflora (Passiflora edulis)A passiflora também é conhecida como flor-da-paixão ou maracujá (não é a fruta maracujá que conhecemos) e tem sua origem no sul dos Estados Unidos ou no México. E se você está estressado, nervoso ou com distúrbios do sono, esta planta medicinal é indicada para você. Ela possui efeitos espasmolítico, ansiolítico, calmante e sedativo.

A passiflora possui efeito calmante e sedativo e, atualmente, pode ser usada de diversas formas, como a infusão em si, mas também há cápsulas e comprimidos mastigáveis. Seus principais componentes são os flavonoides e a coumarina. Para conseguir esses efeitos calmantes de suas substâncias, devem ser usadas apenas as suas partes aéreas, como suas flores, folhas e caule.

Com seu consumo, você poderá tratar ansiedade (com palpitações cardíacas), insônia, nervosismo, irritabilidade e, até, hiperatividade em crianças. Mas ela pode sim trazer alguns efeitos secundários, como dores de cabeça, distúrbios visuais e elevada sonolência, por isso, se você for consumi-la, deve ter muita atenção ao dirigir (talvez seja até melhor não dirigir).

Chapéu-de-couro (Echinodorus macrophyllum)

O chapéu-de-couro também é conhecido como aguapé, erva-do-brejo e chá-mineiro e é uma planta que não tem muitas pesquisas científicas, porém, pode ser considerada uma planta medicinal pelas diversas formas que auxilia problemas de saúde. Seus benefícios são muitos, como diurético, tônico, antirreumático, anti-inflamatório, além de também ser usado para combater o excesso de ácido úrico, artrose, gota, sífilis e problemas de pele.

Poucos estudos já foram feitos, porém, eles comprovaram que não há efeitos tóxicos conhecidos pelo consumo dessa planta medicinal. O chapéu-de-couro contém flavonoides, taninos, glicosídeos, essências e sais minerais. A melhor forma de consumo deste produto natural é através de chás, que devem ser preparados por meio da infusão e a decocção de suas folhas. Colocar duas colheres (de chá) de folhas de chapéu-de-couro picadas em uma xícara de água e ferver, é suficiente para fazer um chá que pode ser bebido ou usado como compressa.

Hoodia gordonii

Essa planta medicinal é, na realidade, um cacto de origem africana e vai te ajudar se seu desejo é perder peso. Essa planta medicinal é uma inibidora de apetite, sendo usada como um suplemento natural em dietas que objetivam a perda de peso.

Quando a Hoodia gordonii é ingerida, ela consegue enganar o cérebro porque ela imita a glicose nas células nervosas dele, e faz com que a pessoa se sinta satisfeita de forma mais rápida, isso por fim, acaba inibindo o apetite. O que é ainda mais interessante é que quando uma pessoa faz dieta, é comum que ela sinta irritabilidade ou fadiga, mas estudos feitos nos Estados Unidos e na Europa mostraram que pessoas que fizeram o uso dessa planta medicinal durante dietas alimentares, não apresentaram esses efeitos ruins.

Como foram feitos poucos estudos sobre essa planta medicinal ainda, ela não tem registro como medicamento em nenhum país no mundo, mas alguns países permitem o seu uso. Isso não ocorre no caso do Brasil – a comercialização dessa planta como medicamento é proibida porque não possui registro na Anvisa, e já que estudos ainda não foram feitos com ela, sua eficácia não é cientificamente comprovada, bem como seus efeitos tóxicos.

Karité (Vitellaria paradoxa G.)

O karité é mais conhecido pela manteiga que é feita a partir dele, porém, ele é utilizado de outras formas que não envolvem a sua ingestão. Sua origem é nas savanas da África Ocidental e é uma árvore que pode viver até 300 anos, sendo considerada sagrada por alguns povos africanos, que não permitem que ela seja cortada por lá.

Mas essa árvore também é considerada uma planta medicinal que tem efeito calmante e hidratante, sendo utilizada principalmente na dermatologia e na cosmetologia. Seus principais componentes que auxiliam em alguns cuidados com a pele são os ácidos graxos, que incluem, por exemplo, o ácido oleico. Para extrair o que há de bom nessa planta medicinal, é utilizado o fruto, que contém a castanha de karité.

Com efeitos hidratante, emoliente, anti-inflamatório e cicatrizante, a essência do karité é indicada para tratar acne, pele seca, queimaduras solares, eczema, dermatite de contato e feridas na pele. Não há efeitos colaterais conhecidos. O karité pode ser usado em forma de shampoo, loção, pomada, creme ou sabonete.

 

Ginseng (Panax spp.)

Ginseng (Panax spp.)Essa planta medicinal tem origem na China e auxilia o organismo em muitos problemas de saúde. Uma das principais ações do ginseng é melhorar a utilização do oxigênio do corpo, o que ajuda a poupar o glicogênio. O ginseng também auxilia a produção de glóbulos brancos e vermelhos, além de conservar melhor os estoques de vitamina C, e ajuda o organismo a estabilizar os níveis de açúcar sanguíneo.

Se você é daqueles que trabalha muito, enfrentando jornadas longas de trabalho diariamente, e por isso você sente que está precisando de mais energia, o ginseng pode ajudá-lo. Isso ocorre por que o ginseng melhora tanto a energia física quanto beneficia a mente, dando mais agilidade a atenção à pessoa. Mas não é só isso não.

O ginseng também é recomendado para pessoas que têm artrite porque ele ajuda na diminuição da inflamação reumática. Além disso, essa planta medicinal é usada ainda para controlar o diabetes e para ajudar na perda de peso.

Para consumi-lo, pode-se utilizar suas raízes em sopas e em outras preparações, como acompanhamento de grãos, além de ficar ótimo se adicionado em doces, vitaminas e até em licores.

Mas claro que há algumas contraindicações. Se você estiver gripado o com febre, não deve consumi-lo, e nem se tiver problemas estomacais. E se você tiver insônia, também deve evita-lo, principalmente à noite.

 

Use o que temos de melhor

Buscar alternativas a tratamentos de saúde pode trazer resultados tão bons que você nem imagina. Mas é melhor ainda quando consumimos um pouco de cada alimento e de cada planta medicinal diariamente, e com isso, conseguimos nos prevenir de diversas doenças e problemas de saúde.

A maior dificuldade é conseguir que todas essas plantas medicinais, com usos trazidos por nossa rica cultura, sejam cientificamente estudadas para comprovar a sua eficácia ou seus efeitos colaterais. De qualquer forma, enquanto isso demora para acontecer, podemos sempre nos manter inteirados sobre o que, quando, como e quanto comer/ingerir/usar de cada planta medicinal. A riqueza das nossas matas não envolve só beleza e variedades de espécies, mas tem muito mais por dentro delas – com elas, alcançamos a riqueza para nossa saúde.

Mais plantas medicinais – Disponível em: Cria Saúde

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